A TECNOSOLO: A CRIAÇÃO

Em fins de 1957, o prof. Antonio José da Costa Nunes, engenheiro notável e precursor no Brasil dos conceitos da Mecânicas dos Solos, disciplina recém introduzidas nos fundamentos dos cursos de engenharia civil, reuniu um pequeno grupo de outros excepcionais técnicos, e fundou a TECNOSOLO destinada, primeiramente, aos estudos dos solos e aplicativos de tecnologias inovadoras nessa área. Costa Nunes, como professor catedrático da Cadeira de Física da então, Escola Politécnica da Universidade do Brasil, conseguiu, no seu dia a dia de magistério, capitanear dezenas de alunos com potencial intelectual diferenciado, constituindo, de forma pioneira, uma equipe de estagiários voltados unicamente para as tecnologias dos solos. O nome da nova empresa, caracterizou, obviamente, sua razão social: a Técnica dos Solos.

As sondagens geotécnicas e os ensaios de laboratórios e de campo foram os primeiros serviços prestados. A partir de então, a logomarca contida nas placas de obras, inundaram a cidade do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Salvador. Costa Nunes era um incentivador de simpósios e congressos e “forçava” seus discípulos a deles participar. Em pouco tempo, a TECNOSOLO passou a se destacar pelo alto padrão de seu corpo técnico, que foi responsável por consolidar A MARCA TECNOSOLO com amplitude, inclusive, internacional. Muito antes mesmo que se criassem no Brasil as Certificações de Qualidade da ISO, a Empresa já estabelecera seus próprios manuais operacionais, verdadeiras enciclopédias especializadas. 

Como consequência dessa estruturação, e com a genialidade de Costa Nunes e seus discípulos, a empresa criou e desenvolveu, com pioneirismo mundial, a técnica das ancoragens protendidas, responsável pelas estabilizações de terraplenos. Em decorrência das enchentes de 1966/67, surgiram gravíssimos acidentes nas encostas da rua Santo Amaro, Santa Teresa e Serra das Araras, obrigando a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro a criar um Instituto de Geotécnica, para preservar as encostas da região metropolitana. A TECNOSOLO cedeu então, inúmeros de seus técnicos para compor os quadros daquela instituição, que anos mais tarde, se transformou na fundação Geo-Rio de renome internacional.

A TECNOSOLO foi a empresa brasileira que mais formou engenheiros geotécnicos, numa época em que os cursos de mestrados e doutorados ainda estavam em fase embrionária de implantação nas Universidades. Mais tarde, muitos desses brilhantes profissionais, vieram a constituir suas próprias empresas, passando a disputar o mesmo segmento de mercado. Assim, com novos e competentes competidores que ela própria forjou, a empresa teve que, para ficar à frente da concorrência, mais uma vez, incrementar suas próprias tecnologias e implementou o “TECNOCENTRO”, um laboratório destinado a conceber e aprimorar tecnologias. Dentro desse programa de fomento, foram firmados convênios com empresas internacionais, com troca de conhecimentos recíprocos. Assim, por exemplo, a empresa se habilitou na tecnologia francesa das consolidações dinâmicas, ancoragens pivotantes e ensaios pressiométricos sendo a única no Brasil, a deter essas metodologias.

Nessa ocasião, o atual presidente do Conselho da TECNOSOLO, foi o responsável para transladar esse acervo técnico para nosso país, depois de estagiar na Techniques Louis Menard e acompanhar dezenas de trabalhos, em canteiros de obras por toda a França. Conveniada com um grupo austríaco, passou a produzir fios para confecção de tirantes protendidos, constituídos de resinas e fibras de vidro, com resistência superior a do aço e imunes à corrosão. No campo da agricultura, irrigação e drenagem, associou-se com empresas espanholas e, através da Tecnibéria, importou equipes de agrônomos daquele país que ajudaram a introduzir no Brasil, novas e modernas concepções para os projetos agropecuários. Graças ao sucesso e a qualidade de seus trabalhos, a TECNOSOLO sempre foi chamada a executar desafios como as maiores provas de carga e ensaios “in situ” como as das fundações da Ponte Rio-Niteroi, dos Reatores das Usinas de Angra, e na Barragem de dupla curvatura do Funil, concebeu e executou em caráter mundial, o primeiro ensaio “in situ” para obtenção dos módulos de elasticidade das rochas das ombreiras, verdadeiros recordes, na ocasião. Outras tecnologias inovadoras como as presso-ancoragens foram igualmente desenvolvidas com largo emprego nas fundações industriais e hoje já se contabilizam cerca de 1.000.000m de estacas desse gênero. A metodologia de aglutinação de terrenos não coesivos de predominância arenosa conhecida por Tecnoresina, utilizando resinas epoxi e gelatinosos, foi empregada de forma pioneira, para estabilizar as galerias do Metro-Rio, ao longo da R. Lauro Muller, com sucesso absoluto. Mais tarde, o deslizamento ocorrido no cais do porto de Fortaleza, foi estabilizado por esse processo, bem como, as ombreiras da barragem de Jacuy, da Belgo Mineira e a recuperação das fundações do Ed. Miguelangelo, em Recife.

Como se verá mais adiante para a execução da terceira ponte de Vitória, criou e desenvolveu um audacioso sistema de “sino” pressurizado e submerso para permitir a execução de sondagens. Desenvolveu-se, paralelamente, o uso de concreto de altíssima resistência, empregado na recuperação dos Ed. Palace II e Banita e nos túneis estravasores das barragens de Orós-Ce) e Mauricio (MG). Como era natural, a empresa não se limitou, exclusivamente às tecnologias do solo e enveredou por outros segmentos da engenharia, criando uma notável diretoria de projeto e gerenciamento voltada aos grandes empreendimentos. A TECNOSOLO se caracterizou por ser uma empresa de desafios. Ela ostenta um acervo de cerca de 4 milhões de hectares em cerca de oitenta vales estudados, quase todos eles dentro da região nordestina. Perfurou o maior poço artesiano que se tem notícias no mundo, com uma vazão jorrante de 1 milhão de litros/hora e uma pressão manométrica equivalente a 60m de coluna d’água. Muito relevantes foram os estudos de zoneamento sócio-econômico do Estado de Rondônia, com financiamento do BIRD, que mereceu elogios de organismos da ONU, divulgando o trabalho da TECNOSOLO como padrão a ser imitado, por outros países, como exemplo de metodologias a serem empregadas em estudos similares.

No segmento de transportes, a empresa atuou em dezenas de ferrovias, destacando-se a de Carajás e os Metros do Rio e São Paulo. Nada se compara, entretanto, ao projeto e gerenciamento da Linha Amarela, a primeira via expressa urbana, viabilizada, no Brasil, pelo sistema “BOT” que foi concebida e implantada em tempo recorde. Dentro da modernização e descentralização dos transportes rodoviários, na região do Grande Rio, concebeu e realizou os estudos e projetos executivos do Arco Metropolitano, super via expressa denominada que liga o Porto de Sepetiba aos principais eixos viários regionais, como a BR-116 Sul e Norte, a BR 040 , a Via Lagos, a BR 101 Norte , a RJ 116, que já está em operação plena. Em início da década de 80, conveniada com uma empresa espanhola, introduziu no Brasil os conceitos dos parqueamentos urbanos subterrâneos, haja vista que havia construido os maiores subsolos brasileiros como do BNDES, no Rio, do Banco Itaú, em São Paulo, do Banco Central, em Brasilia, dos hotéis Meridien e Sofitel,etc.

Na parte portuária, destacam-se o porto de Pecém, Itaguaí e Manaus. No segmento aeroportuário, são significantes os projetos e gerenciamentos dos aeroportos de Salvador, Natal, Brasília, Fortaleza, São Luiz e uma dezena de aeródromos, além de ter feito o planejamento de todos os aeroportos brasileiros. Participou também da implantação de várias refinarias da Petrobras, como as de Landulfo Alves, Gramacho (Duque de Caxias), Betim, Campinas, etc., tendo recebido daquela estatal, prêmio pela qualidade de seu desempenho. No campo das fontes alternativas de energia, não se pode deixar de mencionar o “novo modelo energético do Estado do Amazonas” com suas 22 usinas termelétricas e 6 PCH’s, bem como, os inúmeros estudos de meio-ambiente por todo Brasil, inclusive projetos de saneamento, tratamento, preservação de águas e esgotos. A TECNOSOLO enfrentou um outro grande desafio quando assinou contrato para projetar, construir, equipar e operar a Arena Olímpica para os jogos Panamericanos do Rio, tudo isso, num prazo tido como impossível de 14 meses. Importante também citar o “know-how” adquirido nos projetos esportivos autossustentados, conveniados com empresas europeias. Recebeu o VI Grande Prêmio de Arquitetura Corporativa, pelo projeto de readequação do Estádio Fonte Nova, em Salvador, prêmio disputado entre outros 996 projetos. No que tange a atuação internacional, destacam-se os empreendimentos da Barragem de Mindu, na Tanzânia, sete outras barragens para um complexo empreendimento de irrigação, na Argélia, bem como os estudos para o metrô da capital.

Atuou na Argentina fazendo os estudos de uma L.T. de 3.000km. No Chile fez a enfilagem do túnel adutor da Barragem da Colbum e, no Uruguai, participou da construção do sistema de águas para Montevideo. No Equador, onde chegou a ter uma filial, atuou nos estudos da auto estrada Quito-Guaiaquil. Na Bolívia, fez vários projetos referentes a irrigação e drenagem. Na Costa Rica atuou como consultora em projeto de usina para produção de álcool e açúcar. Finalmente, na Guatemala, contratada pelo BIRD, fez a supervisão/gerenciamento de um grande empreendimento agrícola. Com a Romênia, foi responsável pelo acordo entre aquele país e o governo do Estado do Rio de Janeiro, visando montar vagões ferroviários, em Três Rios, mediante transferência de tecnologia em troca de participação no programa de obras daquele país, recém saído do bloco da “cortina de ferro”, chegando a assinar, dois contratos para estabilização das encostas de importantes rodovias, na região de Brashov. Mais recentemente, atuou na Nigeria em estudos e projetos de saneamento e hospitalar. Chegou mesmo a fazer uma consultoria pontual em Formosa. Para serviços em águas profundas para a Petrobrás, disponibilizou, em consorcio com a International Marine Petrolium Corporation,do Kuwait, o primeiro navio-sonda provido de posicionamento dinâmico.  

LOGÍSTICA

A expansão da empresa, além da cidade do Rio de Janeiro, instalou uma primeira filial em Salvador que logo se seguiram as de Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Manaus, e outras mais, chegando a ter um total de 12 filiais no Brasil e uma no Equador. Praticamente, todas essas filiais tinham infraestruturas completas como departamento, técnicos, administrativos e financeiros, depósitos, almoxarifados etc. Com o advento da informática e o aperfeiçoamento na logística de transportes, essas filiais foram sendo desnecessárias até que todos os serviços por elas prestados passaram a se concentrar na sede obtendo uma economia geral muito significante. Hoje, a sede da TECNOSOLO está instalada no bairro da Taquara dispondo de um prédio de cerca de 10.000 m2, que abriga todos os setores técnicos e administrativos dispondo também de áreas para parqueamento de equipamentos, almoxarifados e oficinas manutenção. Por tudo isso a história da TECNOSOLO não se conta em umas poucas laudas de uma apresentação. A empresa que sempre figurou entre as dez maiores do país, detém, assim, um extraordinário acervo de atestação técnica que a habilita atuar em todas as áreas da engenharia civil. Pelo que se depreende, O MAIOR PATRIMONIO DA TECNOSOLO É SUA MARCA E, SEU INVEJÁVEL ACERVO TÉCNICO que a diferencia das empresas do ramo. aqui.

A MARCA TECNOSOLO: ATIVO INTANGÍVEL

“Uma marca não é um produto. É a essência do produto, o seu significado e, a sua direção que define a sua identidade no tempo e no espaço”

“A marca é o sinal ou o conjunto de sinais nominativos destinada a identificar os bens e serviços que a diferencia dos concorrentes”

Quando se trata de bens tangíveis, tais como, produtos industriais, que são, muitas vezes, respaldados por fortes campanhas na mídia, invariavelmente associadas à uma logomarca bem concebida, torna-se mais fácil incutir no propenso consumidor, a associação de tal produto com sua marca. É ela que irá chancelar futuros lançamentos do fabricante. Nesse caso, analisar e avaliar a influência da marca e, consequentemente seu valor intrínseco, parece menos subjetivo de quando se trata de bens intangíveis (invisíveis) situação que torna essa estimativa de valor da marca mais complexa. Como vender um projeto que ainda vai ser concebido a um cliente? Como convencê-lo que receberá o melhor produto (intelectual)? Isso só será possível se a futura concepção vier amparada por uma tradição de qualidade tecnológica representada pela marca. No caso da TECNOSOLO, essa questão de consolidar uma marca no mercado, tornou-se, desde o nascedouro da empresa uma obsessão. Era preciso ser diferente e melhor que qualquer concorrente. Assim, a marca e o nome da empresa teriam que ser suficientemente fortes para respaldar seu sucesso futuro. Dentro desse conceito, a TECNOSOLO foi criada. O que diferenciou a TECNOSOLO, foi a filosofia implantada por Costa Nunes, ou seja, apresentar tecnologias inéditas e renovadoras graças às ações inventivas de seu corpo técnico. Por isso, a TECNOSOLO passou a estar sempre, um passo à frente das demais concorrentes. Como os elementos da equipe técnica e de consultores eram oriundos do corpo docente das escolas de engenharia, desde cedo se implantou a política de estagiários, ou seja, a arregimentação dos mais brilhantes alunos que, selecionados durante estágios de três anos, eram incorporados, automaticamente, ao quadro técnico da empresa após suas formaturas. Esses jovens formandos eram, então, engenheiros especialistas em mecânica dos solos. O êxito dessa estratégia de preparação de profissionais, serviu de modelo para que Universidade Federal implantasse o curso de engenheiros de solos, cuja primeira turma de formandos, foi absorvida totalmente pela própria TECNOSOLO. Essa estratégia garantiu à empresa um potencial humano de técnicos de altíssima qualidade.

Como se viu, Costa Nunes fomentou a política de participação de seu quadro técnico, em congressos e simpósios, cujos anais eram divulgados pelos participantes aos demais companheiros de empresa e transformados em linguagem prática, através de “manuais técnicos”. Esses manuais, foram os precursores no Brasil da política de qualidade, ou seja, antes da implantação das ISO’s, nos seus diversos seguimentos. A empresa, nesse particular, se habilitou oficialmente em todas as especialidades em que militou.

Dessa forma, a marca TECNOSOLO foi-se difundindo no meio técnico nacional. O nome da empresa se fez presente nos congressos internacionais, onde o próprio prof. Nunes fora presidente de vários organismos internacionais da especialidade.

Dentro desse ambiente de pura tecnologia, a empresa desenvolveu, com total pioneirismo mundial, a tecnologia das ancoragens protendidas voltadas à estabilização de terraplenos. A partir da primeira obra de estabilização de taludes, no Hospital da Beneficência Portuguesa, no Catete, essa tecnologia foi intensamente divulgada e graças a ela a centenas de encostas do Rio de Janeiro que foram intensamente atingidas pela “tromba d’água” que ocorreu no ano de 1966, puderam ser regeneradas. Apesar do total sucesso dessa técnica, alguns aperfeiçoamentos ainda precisaram ser introduzidos. O combate à corrosão, a melhoria da capacidade de suporte do aço, a eficiência do sistema de injeções, a melhoria do sistema de usinagem e fabricação dos tirantes etc., foram preocupações totalmente superadas. Foram exaustivos os testes de carga que garantiram a qualidade e eficiência do método. Infelizmente, a TECNOSOLO, na época, não se preocupou em patentear seu invento que, ao longo dos anos, se tornou de domínio público. Sempre na dianteira de seus concorrentes, a empresa passou a fabricar além dos tirantes de barra, tirantes com fios de aço que lhe permitiu aumentar, substancialmente, a capacidade de carga. Entretanto, outro inconveniente teve que ser contornado, ou seja, o fenômeno da corrosão sob tensão extremamente danoso, em especial, quando da ocorrência de correntes elétricas parasitas, no solo. A TECNOSOLO, começou a fabricar comercialmente no Brasil, fios de fibras de vidro aglutinadas com resinas epóxicas anticorrosivas. Consequentemente, foi criada uma empresa coligada denominada Tecnoresinas.A TECNOSOLO passou a dominar a tecnologia das resinas no Brasil, graças à parceria feita com a Ciba-Geigy. Conseguiu-se fabricar resina epóxi de baixíssima viscosidade, semelhante à da água, bem como outros produtos gelatinosos que possibilitaram melhorar a capacidade de resistência de solos bem como suas coesões. Outras tecnologias foram igualmente concebidas e aplicadas, como o caso da “tecnotalus” ou sejam, elementos articulados de concreto destinado a proteção superficial de taludes de solos estéreis. O grande sucesso de vasto emprego, sobretudo em instalações industriais, foram as presso-ancoragens, isto é, estacas de pequenos diâmetros e grande capacidade de carga. Também, utilizando elementos de concreto para estabilização de aterros rodoviários, em especial aos adjacentes aos encontros de obras de arte especiais, a TECNOSOLO desenvolveu as micro-ancoragens. Alguns aparelhos e componentes especiais foram igualmente concebidos e empregados no dia a dia da empresa como o “tecnodip”, orientador de xistosidades de amostras rochosas, bem como o “tecno-dreno”, elemento filtrante de maciços terrosos utilizando componentes epoxidas não sujeitos à colmatação provocada por água calcárias.

A prática demonstrou que a conjugação de várias tecnologias foi vital para o sucesso na recuperação de estruturas danificadas. Nesse particular, o controle de movimentos de uma estrutura pode ser detectável graças a instalações instrumentação de leituras de movimentos com o uso de equipamentos de alta precisão. A empresa foi também pioneira quando adotou a técnica de sondagens submersas com utilização de “sinos pressurizados” que funcionavam como proteção de sondas rotativas e seus operadores que trabalhavam sob pressões manométricas de algumas atmosferas, abaixo do nível d’água. Essa tecnologia, face as condições de mar, foi empregada nas sondagens da construção da terceira ponte de Vitoria. A TECNOSOLO utilizou muito, em águas mais abrigadas, equipamentos tripoides, isto é, plataformas e pernas prolongáveis, como o caso das sondagens para a construção da ponte Rio-Niteroi, ponte de Florianópolis, Terminal Salineiro do Rio Grande do Norte etc. Como se constata, a criatividade da empresa sempre se fez presente e, por isso ela ousou, com total êxito, executando, por exemplo, as maiores provas de carga já vista no país. Para culminar sua aptidão pela tecnologia, a TECNOSOLO, com financiamento da FINEP, montou finalmente, seu centro de pesquisas próprio, o “Tecnocentro”, destinado a consolidar suas tecnologias. Pelo que se vê, nenhuma empresa congênere brasileira, sequer tentou investimentos próprios para consagrar seus processos. Todas essas tecnologias fazem parte do segmento de serviço especiais de engenharia, ou sejam, serviços não convencionais. Outros segmentos da engenharia civil foram implantados como os estudos e projetos, consultoria e gerenciamento de grandes empreendimentos.

Desenvolveu-se as atividades nos campos da energia convencional e das fontes alternativas, recursos naturais, meio ambiente, infraestrutura de transportes de qualquer natureza, enfim, um cem número de atividades impressionantes. Atuou em mais de 50.000 serviços de todos os tipos. Em todo o Brasil e no exterior dos quais, cerca de metade, são constantes de atestados oficiais que compõem o acervo técnico da companhia. É praticamente impossível descrever detalhes de cada contrato realizados. Entretanto, alguns serviços são especialmente marcantes na história da empresa e, porque não da engenharia brasileira. Eles serviram para consolidar a marca e o nome comercial da TECNOSOLO, e é relevante citar a seguintes obras:

a) Complexo energético do Funil - Itatiaia – RJ . Trata-se da primeira barragem de concreto de dupla curvatura, denominada barragem de casca em virtude do seu perfil esbelto, cujo projeto contou com tecnologia importada. A TECNOSOLO executou ali a consultoria geral de geologia e de geotecnia, sondagens, controles laboratoriais de solos e concreto, ensaios pioneiros do modulo de elasticidade “in situ” da rocha das ombreiras da barragem, desenvolveu o emprego de água gelada para inibir o calor de hidratação nas concretagens para evitar microfissuras, fez o enfilamento do túnel de desvio e fiscalizou a construção da barragem auxiliar de Nhangapi e do túnel de desvio do ribeirão Itatiaia, executando também, o mapeamento do diaclasamento das fundações da barragem - que foi tema de congresso internacional - e projetou a estabilização da ombreira direita atingidas por enorme deslizamento do maciço terroso. Essa ocorrência foi tema do Terceiro Seminário de Grandes Barragens promovido pelo Clube de Engenharia.

b) Complexo Industrial da Refinaria de Betim – MG. Tratou-se de executar ali, os projetos e supervisão da construção de três barragens, em especial a de Ibirité que, por ter utilizado jazidas de argila impregnadas de minério de ferro, gerou oxidação da água drenada, provocando a colmatação dos filtros horizontal, vertical e de pé, elevando o nível de água percolado alterando o peso específico do material terroso compactado, pondo em risco a estabilidade da obra, fenômeno esse que foram corrigidos mediante o emprego de filtros especiais concebidos pela Tecnosolo. É interessante ressaltar que anos depois, o mesmo fenômeno se manifestou no sistema de drenagem do pátio de minérios do porto de Vitória. Para consolidar as fundações dos tanques de combustível dessa mesma refinaria de Betim, empregou-se a técnica de cravação conjunta de estacas de areia e de solo-cimento, técnica essa concebida e empregada de forma pioneira, na consolidação do cais de minério do Caju, tudo com resultados excelentes.

c) Barragem de Jacuy – Monlevade – MG. Ocorreu ali um acidente com a válvula de descarga de fundo da barragem, ocasionando a descida rápida do nível d’água e do gradiente hidráulico, consequentemente, ocorreu o deslizamento na ombreira esquerda, danificando um trecho de rodovia e, principalmente, da ferrovia responsável pela exportação de minérios da CVRD , bem como, comprometendo o resfriamento dos formos de gusa da siderúrgica Belgo Mineira , antevendo-se assim, uma paralização de consequências dantescas, tanto da usina como da ferrovia, por mais de seis meses. Entretanto, graças a tecnologia desenvolvida pela TECNOSOLO, a ombreira foi consolidada de forma emergencial, em menos de 24 h, através de injeções de resina epóxi. Posteriormente, foi executada uma cortina de contenção submersa atirantada, primeira obra do gênero feita no país. Essa intervenção evitou a ocorrência de lucros cessantes diretos correspondentes de milhões de dólares, tanto à Belgo, como à Vale do Rio Doce e, o custo dessa obra foi o correspondente a um infinitésimo do prejuízo que poderia ocorrer.

d) Os acidentes em obras de edificações, pelo seu caráter reservado no que tange às suas divulgações, foram especialidades muito importante, contribuindo muitas vezes, para salvaguardar vidas e proteger patrimônios. A TECNOSOLO participou e contribuiu para sanar consequências danosas nesse tipo de ocorrência. Poucos acidentes não puderam ser evitados pois, via de regra, a TECNOSOLO só foi solicitada a intervir, sem tempo hábil para tentar recuperação. Para se ter uma noção dos eventos que tiveram, na época, grande repercussão na mídia, cita-se o caso do Ed. São Luiz Rei, em Copacabana, que ocorreu pouco antes da fundação da empresa, mas a ocorrência foi amplamente estudada e serviu de orientação para prevenir casos assemelhados. A TECNOSOLO, sempre teve por norma divulgar, amplamente, os insucessos que presenciou para evitar repetições futuras. No caso citado, houve negligência nos critérios de limitação das sondagens que não detectaram a presença de grande bloco de matacão que apoiou uma das sapatas de fundação. Outro grande acidente onde a empresa foi chamada a compor o “pool” de entidades que tiveram a incumbência de pesquisar as causas do acidente do elevado da Paulo de Frontin, no Rio. Desgraçadamente, ali se constatou a ocorrência de cerca de nove situações desfavoráveis simultâneas que se tivessem ocorridos apenas dois ou três delas, não ocorreria esse acidente que ceifou cerca de três dezenas de vidas. A equipe técnica da TECNOSOLO, na ocasião estudou detidamente a situação e editou instruções para avaliação de casos assemelhados. Muito interessante foi o caso do edifício Banita, na Presidente Vargas, de fundação profunda, que recebeu esforços do edifício adjacente, fundado em sapatas que recalcaram. O excesso de carga suplementar suportados pelos pilares do Banita provocou o esmagamento dessas estruturas, causando a rutura das vigas de equilíbrio existentes entre blocos de coroamento das estacas, evidenciando um colapso. A empresa detectou precisamente o fenômeno e previu a intervenção a ser feita dificultada pela necessidade de manter as dimensões originais dos pilares à vista. A solução básica, foi regenerar o equilíbrio das forças, implantando-se tirantes protendidos. Entretanto, os pilares foram reconstituídos mediante a confecção de uma capa delgada de concreto epóxi de altíssima resistência quase comparável à de aços especiais. Durante vários anos, foram permanentemente executadas medições de recalques sem se ter observado quaisquer valores discrepantes. O importante é que o edifício continuou seu funcionamento, sem solução de continuidade e sem que se alardeasse seus ocupantes e preservando, inclusive, sem máculas, o valor daquele imóvel. Outra ocorrência destacada nos meios de divulgação, foi o caso do Ed. Pálace II, na Barra da Tijuca, onde parte dessa construção ruiu, ocasionando quase uma dezena de vítimas. A TECNOSOLO foi chamada intervir o que o fez com precisão, analisando as evidencias do sinistro e os elementos de projeto. Por pressão das autoridades públicas, o resto da lâmina do Palace II foi implodido quando, eventualmente, poderia ser recuperada. Entretanto, restara a lâmina correspondente ao Palace I, de mesma concepção arquitetônica e de projeto estrutural. A TECNOSOLO passou então a recuperar estruturalmente aquela edificação, empregando tecnologia assemelhada à empregada com êxito no Banita. Outra ocorrência marcante de acidentes em edificações é a do edifício a do Ed. Michelangelo, que acabara de ser construído na Praia da Boa Viagem em Recife. Na época, era a mais luxuosa edificação daquele logradouro. Assente sobre sapatas em terreno arenoso, ocorreu o afundamento de uma delas e, imediatamente o edifício iniciou um processo de recalques diferenciados. Com velocidades assustadoramente crescentes. Era a luta contra o tempo e aquela belíssima construção foi salva, até de maneira simplista, mediante a injeção de resinas que aglutinou a areia envoltória à sapata em recalque, formando um enorme bloco de fundação, com área muito superior a da sapata subdimensionada, aliviando os esforços sobre o terreno instantaneamente. Duas outras obras, com aplicação de produtos químicos foram destaques como o caso o trecho do Metrô Rio correspondente ao trecho da Rua Lauro Muller, em Botafogo. Face ao terreno arenoso e a superficialidade do nível d’água, as escavações se tornaram inviáveis e/ou muito caras pelos processos de paredes diafragmas. A TECNOSOLO consolidou o terreno submerso, com emprego de componentes químicos gelatinosos tornando a massa arenosa assemelhada a uma rocha branda, facilmente escavada, posteriormente, pelos processos com maquinarias convencionais, trabalhando à céu aberto, diminuindo, sensivelmente, os custos das escavações. Essa mesma técnica foi empregada com muito êxito no cais do porto de Fortaleza onde se desejava dragar para aumento do calado local. O enrocamento de pedras assente sobre o fundo arenoso sob o cais, foi estabilizado graça a injeção de gelatinosos e, posteriormente fixado pela construção de uma cortina submersa à exemplo da tecnologia então empregada em Monlevade. Mais recentemente, em Friburgo, uns poucos trechos da cortina que estabiliza o Rio Bengalas.

e) A história da Tecnosolo e sua marca está intimamente ligada à estabilização das encostas da cidade do Rio de Janeiro. O processo das cortinas atirantadas por ela criada e desenvolvida com pioneirismo mundial, foi vital para recuperar as grandes feridas ocorridas nas regiões montanhosas da cidade e de seu entorno. Em 1966 e no ano subsequente, chuvas com períodos de recorrência seculares, feriram a bela paisagem carioca, desde a Via Dutra, na serra das Araras que ficou interrompida por um ano, até os contrafortes da região serrana de Teresópolis, Friburgo e Petrópolis. A encosta da R. Santo Amaro, no Catete, amargou só no acidente de um bloco de edifícios da Cohab, cerca de 30 vidas. Coube a Tecnosolo, projetar e construir o sistema de obras reparatórias em quase todas as frentes acidentadas. Trabalhou-se dia e noite. Face a grandiosidade dos problemas, foi criada então um organismo oficial para coordenar as questões relacionadas à instabilidade das encostas: o Instituto de Geotécnica. A Tecnosolo detentora das tecnologias especializadas, cedeu ao novo órgão, alguns de seus principais técnicos que, ao longo do tempo, consolidaram aquela instituição, hoje intitulada Fundação Georio, de renome internacional. Cada vez mais, a marca Tecnosolo, se evidenciava ligadas aos serviços especiais de engenharia.

f) Continuando nesse segmento, foi notável a contribuição técnica às indústrias. A Belgo Mineira (hoje Acelor), a Manesmann, a Usiminas, a CSN, a Ferteco, e outras empresas do ramo, puderam se beneficiar para a suas expansões, no emprego das presso-ancoragens que possibilitaram construir intensamente repletos de maquinarias seja no emprego de reforço de fundações ou em substituição aos processos convencionais de fundações profundas. Provavelmente, a empresa já executou próximo a um milhão de metro de estacas desse tipo.

g) Finalmente, citamos o desempenho relativo ao emprego dos levantamentos sísmicos que complementava os estudos de prospecção e que foi muito empregado nos estudos petrolíferos em águas rasas, para a Petrobras. No auge de demanda desses serviços, a empresa chegou a importar mão de obra especializada face a inexistência de profissionais brasileiros nessa área e, consequentemente, absorveu tecnologia inerente.

h) Foi muito expressiva a participação da Tecnosolo nos seguimentos metro-rodo-ferroviário brasileiro. Talvez tenha sido a maior consultora prestadora de serviços à então Rede Ferroviária. Destacam-se projetos e serviços tais como a nova descida da serra para o porto de Paranaguá, a ferrovia do Aço, a ferrovia de Carajás, o ramal de Parateí, o ramal Japeri-Brisamar, o pátio ferroviário da Usina de Tubarão a ferrovia Belem -Brasilia e muitos outros. No seguimento metroviário, destacam-se o do Metrô-Rio onde a Tecnosolo projetou sua maior estação, a do Largo da Carioca, os trechos da linha Uruguaiana e da Presidente Vargas. No trecho Botafogo-Copacabana e nas suas estações subsequentes, foi a responsável pelo controle de movimentos das edificações adjacentes. Tivemos atuação significativa nos Metrôs de Recife, Fortaleza e projetamos o VLT de Salvador. No tema rodoviário, participou da ampliação da Via Dutra, da Niteroi-Manilha, da Auto Estrada Lagoa-Barra, da duplicação da Grajaú-Jacarepaguá, da duplicação da BR-040, da Belém-Brasília, da pavimentação da BR-116 e, atualmente, elaborou os estudos e projetos para o Arco Metropolitano, em construção. A Tecnosolo teve a oportunidade de executar a maior obra urbana pedagiada pelo regime de BOT: a Linha Amarela. Para executar os estudos e projetos correspondentes aos lotes 1 e 2, a empresa teve que arregimentar uma equipe de engenheiros e consultores capazes de elaborar, em tempo recorde , os estudos que compreenderam cerca de 19 km de viadutos e que obrigou a Prefeitura construir 1.721 unidades habitacionais e, 775 lotes urbanizados, decorrentes das desapropriações. Além disso, cerca de 7 pequenos rios tiveram que ser canalizados. Essa obras veio facilitar o acesso á Barra da Tijuca e é hoje, a principal artéria para escoamento do trafego de veículos. Quanto ao segmento das obras portuárias, a Tecnosolo foi responsável pela implantação e supervisão do porto do Pecém, em Fortaleza, atuou na expansão dos super portos do Rio Grande e de Sepetiba, base naval de Natal, base de submarinos de Mocanguê, da base de Aratu, do porto de Fortaleza, SUAPE, Manaus, Paranaguá, etc. A Tecnosolo teve uma expressiva participação no seguimento aeroportuário que são estudos muito complexos e multi disciplinares. No Rio, foram feitos todos os estudos de geotecnia para o Aeroporto Internacional do Galeão, projetou o complemento da pista do Santos Dumont, fez os estudos e projetos de vários aeródromos fluminenses, recuperou a pista da Pampulha, projetou parte da expansão do Aeroporto de Brasília e sua segunda pista, fez projetos e/ou supervisões dos Aeroportos de Fortaleza, Natal, São Luiz , Belém, Teresina e, principalmente, de Salvador e de Vitória.

i) Com relação às atividades ligadas aos estudos agropecuários, recursos naturais, saneamento e meio ambiente, destacam-se as seguintes atividades importantíssimas atividades. Assim, desde 1974, a Tecnosolo se associou a um conjunto de empresas patrocinadas pelo governo espanhol, através da Tecnibéria iniciou uma parceria com transferência de tecnologia para atuar no seguimento dos empreendimentos de irrigação e drenagem. Durantes vários anos, desenvolveu-se dois magníficos estudos, viabilidades, projetos, supervisão da implantação de obras nos vales dos rios Gurgueia e Fidalgo. Para consubstanciar os estudos de águas subterrâneas, foi implementada uma grande campanha com abertura de dezenas de poços , dentre os quais o de Violeta, o maior poço artesiano que se tem notícias, com uma pressão manométrica de 60m de coluna d’água e uma vazão jorrante de um milhão de litros por hora e que se constituiu hoje, em uma atração turística do Piauí. Além dos perímetros irrigados e das construções das vilas de assentamento dos irrigantes os projetos trouxeram tecnologia inovadora denominada “calderins”, ou seja, um processo de manutenção da pressão manométrica e distribuição uniforme do bombeamento do lençol d’água. Outros projetos foram posteriormente executados como o do vale do Açu. Mas, a empresa se destacou fazendo a hierarquização de mais de 80 vales na região nordestina. Atuou na Bahia e no norte de Minas, tudo dentro do quadrilátero da seca. Dentro deste contexto, a Tecnosolo é provavelmente uma das maiores recordistas de estudos de irrigação e drenagem, com mais de 3 milhões de hectares. Outra grande façanha da Tecnosolo, foram os estudos sócio econômicos e zoneamento do Estado de Rondônia, patrocinado pelo BIRD que mereceu enormes elogios daquele importante Banco de Desenvolvimento. A metodologia empregada pela empresa, serviu como padrão norteador para a elaboração de estudos assemelhados. Na época, esse contrato correspondeu, aproximadamente a um valor contratado no montante de US$ 35 milhões. Paralelamente, foi muito expressiva a atuação da empresa nos sistemas de captação, tratamento, adução e distribuição de água. São inúmeros os projetos de adução, como a famosa adutora o Nordeste, o importante projeto de supervisão do sistema de águas de Manaus e 40 outras cidades do interior amazônico. Adução importante para a Petrobras e inúmeras intervenções na área da CEDAE como a construção de reservatórios em Nilópolis e, especialmente, as obras de recuperação da maior estação de tratamento de águas do Brasil: o Guandú. Friburgo e várias cidades de igual porte, receberam participação nos seus sistemas de abastecimento similares executados pela empresa.

j) Quando da crise mundial do petróleo, o Brasil começou a pensar em fontes alternativas de energia. Com relação ao álcool, foram elaborados projetos para usineiros privados na região de Campos. Mas foi muito significativo os estudos, projetos e implantação do que se chamou de “novo modelo energético do Amazonas”, ou seja, um vastíssimo programa de geração de energia elétrica através de fonte alternativas renováveis. Esse programa visava a substituição de 92% do uso do diesel gastos nas usinas amazonense. Dessa forma, sob a liderança da Tecnosolo, concebeu-se um programa que visava a construção de 22 UTE’s e de 6 PCH”s, nos pontos mais estratégicos do estado. Esse programa contou com a participação dos Governos da Alemanha e da França, bem como financiamento nacional pelo BNDES. Foi uma experiência inusitada para as equipes técnicas da Tecnosolo. Ao longo de mais de três anos, foram feitas centenas de reuniões multi disciplinares envolvendo questões relativas aos conjuntos geradores térmicos e turbinas, principalmente as de baixa queda. Negociações com o sistema bancário mundial foram acertadas em condições financeiramente favoráveis. Foi inclusive necessário promover um dos maiores simpósios para se discutir a criação, na floresta amazônica, de áreas destinadas a implantação de “florestas energéticas”, auto renováveis, situação que, de princípio, despertou controvérsias conceituais. Os resultados que se chegou foi surpreendentemente inesperado. O mito de que a floresta amazônica era o “pulmão do mundo”, caiu por terra, face a idade das velhas espécies vegetais, que mostraram produzir mais gás carbônico que oxigênio. Esse programa de fontes alternativas de energia produziu a PCH de São Gabriel da Cachoeira e iniciou a construção da Usina de Humaitá. As UTE’s de Iranduba e Manacapuru, também foram paralisadas. O programa alternativo, foi encerrado porque, no período, houve reversão da política mundial de energia a base do petróleo e dele, só restaram conhecimentos adquiridos na área técnica.

k) Como se viu, a Tecnosolo, face as tecnologias próprias que desenvolveu, sempre foi solicitada a socorrer patrimônios em situação de riscos. Nesse particular, foi muito importante a atuação da empresa, por exemplo, na recuperação do vertedouro da famosa barragem de Orós, no Ceará, onde o túnel extravasor, sofreu um esmagamento de fora para dentro, decorrente da pressão d’agua percolada numa rocha xistosa, muito fraturada, contorcendo o revestimento de chapas de aço, ocasionando sensível redução na sua seção hidráulica . Ali foi feito em lento e paciente trabalho de recomposição do perfil original do túnel. Empregou-se em certos trechos, a ação de poderosos macacos hidráulicos que retornaram o revestimento a posição original. Em outros trechos porem, onde os espaços vazios foram preenchidos por deposição calcária, o trabalho de restauração foi quase artesanal. As rochas envolventes tiveram suas fissuras tratadas com injeções de cimento, inibindo a retomada do efeito da água percolada que dera origem ao problema. Depois de 8 meses de trabalho, os 240 m daquele seguimento do vertedouro, foi instalada a válvula difusora que proporcionou um belíssimo jato aspersor que se transformou em atração turística quando em funcionamento. Outras barragens nordestinas foram também reparadas como as de Banabuiu e General Sampaio. Entretanto, foi na barragem do Açú que a Tecnosolo teve uma atuação extremamente importante. Esse barramento, imediatamente à sua inauguração, apresentou abatimentos que ameaçavam provocar o derrocamento total da obra. A empresa teve que intervir, refazendo todo projeto original e monitorou, permanentemente, os serviços de reconstrução do maciço e do sistema de vertedouros. Outra situação de risco ocorreu no Rio Grande do Sul, mais precisamente nas barragens existentes no Rio dos Sinos, nesse caso, fundadas sobre argila mole. A empresa tem no seu curriculum dezenas de estudos e projetos de barragens espalhadas por todo pais, inclusive sete empreendimentos na Argélia e uma na Tanzânia, onde levou seus conhecimentos técnicos.

l) Outra atuação muito expressiva da empresa se refere à recuperação de patrimônios históricos. Em Ouro Preto, a famosa Igreja das Mercês, foi recuperada nas suas fundações após ação do intemperismo. Igualmente em Olinda, outras edificações assemelhadas, sofreram a intervenção reparadora das tecnologias da empresa. No Rio, o Parque das Ruinas, é um exemplo muito importante desse trabalho, assim como, o Palácio do Catete. No Rio Grande do Sul, tem-se a restauração do importante marco histórico das Missões. Um gigantesco trabalho de recuperação, realizado em sucessivas etapas, foi o que ocorreu no Pelourinho, em Salvador, transformando aquele bairro na principal atração da capital baiana. Também, está em Salvador, um exemplo importante de recuperação de prédios sinistrados: a reconstrução do Teatro Castro Alves, que foi destruindo por um incêndio.

m) Como atuação em todo território nacional, onde chegou a ter, 12 filiais. A empresa teve a oportunidade de executar alguns trabalhos no exterior. Na Argélia, trabalhamos na concepção de um vasto programa de irrigação e drenagem no qual se incluía o projeto e construção de sete barragens de captação de águas resultantes dos degelos das neves acumuladas na Cordilheira Atlas, bem como, projetos agrícolas, perfazendo cerca de 15.000ha. Em Argel fizemos um projeto preliminar do metrô local e elaboramos estudos geotécnicos de estabilidade de terraplenos. Na Tanzânia, mais precisamente em Morogoro, supervisionamos a construção de barragens para fins de captação de água industrial. Na capital uruguaia, participamos da construção de barra para armazenamento de água urbana. No Chile, fizemos o enfilamento do túnel de desvio da barragem de Colbum. Na Argentina, fizemos sondagens para construção de uma LT ligando a capital ao sul do pais. No Equador assinamos um contrato para fazer o controle geotécnico a da constrição da rodovia Quito-Guaiaquil. Na Bolívia fizemos vários estudos viários. No Paraguai, atuamos no controle de dragagem do Rio Paraná. Na Costa Rica atuamos em projetos rodoviários e, na Guatemala em projetos de irrigação. Atuou-se, até em Taiwan, na área rodoviário. Na Romênia, foram assinados dois grandes contratos para execução de obras de contenção, mas que não prosperam por questões nas linhas de financiamento, mas restou a experiência internacional nas negociações. Mais recentemente, a Tecnosolo atuou em vários empreendimentos nas áreas de saneamento, de saúde e educação, na Nigéria.  

n) Como se depreende, a Tecnosolo, ao longo de sua existência adquiriu conhecimento, credibilidade de seus clientes e uma invejável situação no ranking das principais empresas brasileiras de consultoria figurando a mais de 30 anos, entre as dez maiores empresa nacionais da categoria. MARCA fato se consolidou despertando os interesses de empresas estrangeiras interessadas em atuar, no Brasil, em consórcio. Foram assinados convênios de cooperação com empresas espanholas para atuar no campo das concessões públicas ligadas aos estacionamentos urbanos e as estradas pedagiadas. Foi com empresas francesas que se firmou a transferência de tecnologia referentes à consolidação dinâmica de terrenos fracos, dos ensaios pressiométricos e das ancoragens pivotantes. Essas vastas experiências que enriqueceram o acervo técnico da companhia ficaram ofuscadas por dois grandes episódios desafiadores onde a empresa se saiu extremamente bem, dando aos seus respectivos clientes, plena satisfação e às equipes que neles atuaram, o orgulho de vencer o desafio que a Tecnosolo foi submetida. Trata-se da Ponte Rio-Niteroi e da Arena Olímpica para os Jogos Pan-americanos. Essa é uma história real que demonstra o desempenho de profissionais competentes e compromissados com a boa performance da empresa. Em novembro de 1972, a ECEX, empresa estatal, encarregada de administrar a construção da ponte, convocara o engenheiro Costa Nunes para uma reunião de emergência. A Tecnosolo já estava no canteiro de obras prestando seus serviços especializados de prospecção geotécnica e havia também realizado provas de carga no pilar 72, tudo com desempenho eficiente. Costa Nunes tomou então conhecimento de um gravíssimo acontecimento: o IPT de São Paulo, fora contratado para realizar provas de carga nos pilares que iriam suportar as cargas dos três principais vãos daquela obra. Entretanto, houve uma falha e toda parafernália montada e ela ruiu, levando a óbitos 28 profissionais dentre os quais o vice-presidente daquela instituição, engenheiro Machado, de altíssimo conceito nos meios técnicos do país. O sistema concebido, infelizmente falhara e era preciso optar por um “Plano B” emergencial. Costa Nunes aceitou o desafio e, com sua genialidade projetou um novo sistema de reação ancorados a 100m de profundidade, no fundo da baia da Guanabara. Cada tirante teria que resistir a 1/40 da carga de ensaio. Como executar as perfurações para de forma perfeitamente verticalizadas e espaçadas, entre si de 40 cm? Pior, a ECEX que não poderia admitir qualquer no atraso, impôs um contrato draconiano com elevadíssima multa diária que dobrava, em progressão geométrica, a cada dia perdido. Com um prazo total de 30 dias, a ECEX oferecia uma compensação em iguais proporção ao sistema de multas, por dia de antecipação. Quem conhecia as verdadeiras condições de trabalhos, pioradas ainda mais pelas inesperadas condições do mar (marés, correntes e ondas) jamais imaginara qualquer êxito, a não ser o de minimizar o montante de multas a pagar. No papel, teoria concebida por Costa Nunes, era perfeita, mas, na prática, impossível de realizar. Nesse quadro, foram listados dezenas de quesitos operacionais desfavoráveis, mas, pouco a pouco, foram surgindo algumas ideias paliativas. Costa Nunes de um incentivo a equipe informando que no caso de premiação, essa seria repartida integralmente aos seus membros. Novas sugestões foram aparecem e, de repente, o impossível não estava tão distante. Foram introduzidas modificações nos equipamentos, alterados “layouts”, redistribuídas funções operacionais, feitos treinamentos de tempos e movimentos, reforçada a retaguarda de manutenção e de almoxarifados, dimensionadas equipes de apoio logístico tanto no mar como em terra, e definidos turnos de 12x12 h, etc. Enfim, a sorte estava lançada e o cronometro do prazo, acionado. Resultado: em vez de realizar os serviços em 30 dias, eles foram realizados em apenas 14 dias, ou seja, faturou-se 16 dias de prêmios, em PG, cabendo a cada membro aproximadamente, o valor correspondente a 3,5 anos de trabalho. Uma pequena fortuna e um excepcional marco tecno profissional, obtido pela Tecnosolo. Esse sucesso foi, durante algum tempo, motivo de palestras técnicas a que realizou a maior prova de cargas já executadas no Brasil. A tecnologia possibilitou que a empresa viesse a realizar provas de cargas assemelhadas para testar a eficiência das fundações da Usina Nuclear de Angra.

Outro feito de iguais proporções foi o obtido na construção da Arena Olímpica. A Prefeitura do Rio, durante cerca de 3 anos, negociara a construção desse ginásio com um grupo de empresas. Não houve sucesso nessas negociações e só restavam 16 meses para início dos jogos. A Prefeitura teve que colocar a obra em licitação convencional e, a Tecnosolo, possuindo habilitação técnica, venceu essa concorrência, mas sob a desconfiança da Prefeitura quando a capacidade da Tecnosolo cumprir os prazos contratuais. Não havia projeto básico quanto mais, projeto executivo. Nada de sondagens. Como fazer a obra? Novamente, graças à capacidade de seu corpo técnico, traçou-se uma estratégia de construção. Com experiência, pode-se estimar as cargas nas fundações e essas foram imediatamente iniciadas e concluídas em 35 dias. Nessa altura, já havia um arranjo estrutural que permitiu dispor, com exatidão, das reais cargas atuantes. Foram feitas provas de carga e, não mais que meia dúzia de blocos, foram necessários reforçar. Concebeu-se um projeto estrutural misto: parte em concreto convencional, parte em concreto pré-moldado e, parte, em estrutura metálica. Isso permitiu descentralizar os canteiros de serviço. Já no terceiro mês de obras, as estruturas começaram a emergir das fundações. Na época montou-se um sistema de câmaras de TV’s que permitiram o permanente controle dos tempos e movimentos em todas as frentes de serviços. Trabalhou-se 24 h por dia e a obra foi entregue ao contratante, antes do término do prazo. Pelo seu sucesso, a própria Tecnosolo foi contratada para operar a Arena, durante os jogos. Mais de 1200 operários trabalharam nessa obra e, como reconhecimento, tiveram seus nomes gravada em um painel fixado na entrada principal daquele estádio.

A MARCA Tecnosolo, foi fixada e preservada por uma série de atitudes adotadas desde sua fundação. Assim, a série de “Manuais Técnicos” que ela implantou, foi o norteador para assegurar a qualidade dos serviços por ela realizados, orientação que antecedeu a imposição legal das ISO’s. Como essência dessa política de auto qualidade a que a empresa se impôs, anexa-se o capítulo 1.6 daqueles manuais, intitulado:” Código de ética de engenheiros e técnicos da Tecnosolo”.

Outra ação que embasou a MARCA, foram as publicações técnicas que difundiram novas tecnologias, muitas delas decorrentes de temas/anais de congressos e simpósios especializados. Tais publicações se intitularam “TÓPICOS DE GEOMECÂNICA”. São dezenas de fascículos que podem ser encontrados em nossos arquivos.

Após o falecimento de Costa Nunes, outro companheiro de equipe, o Engº Marnio Camacho, provavelmente seu mais brilhante discípulo, veio sucedê-lo no comando da empresa sem nunca tê-lo substituído pois gênios são insubstituíveis. Marnio, com a base estruturada por Costa Nunes, deu características de modernidade em todos os seguimentos de atuação da empresa, expandindo-a para outros horizontes. Hoje ele detém a titularidade da maioria das atestações técnicas junto com outros companheiros que a completam. Marnio, desenvolveu importantes segmentos como os das fontes alternativas de energia, a expansão nos projetos de irrigação e drenagem, e de vias expressas e, por fim, enveredando para o campo da construção civil. Marnio acumulava a presidência da Diretoria Executiva com a do Conselho de Administração, tarefas que o sobrecarregava com exaustão. A partir de outubro de 2004, Marnio repassou as funções executivas a um jovem, mas experiente membro de sua equipe de gestão, o Engº Marcelo Carneiro, um verdadeiro obstinado profissional, forjado na empresa desde a época de estagiário e conhecedor profundo de todos meandros empresariais. Foi Marcelo o responsável direto para conduzir duas excepcionais e desafiantes obras: a Arena Olímpica e o Velódromo. Hoje com seu vigor e notável capacidade detalhista, é o incansável líder e coordenador das ações executivas da Tecnosolo, com as quais está comprometido inteiramente. A esse respeito, foram produzidas reportagens de TV’s muito esclarecedoras, conforme podem ser vistas em “vídeos institucionais”, no menu principal do site.

Como se viu, esses alertas enfáticos dos projetistas da Tecnosolo, não foram considerados em tempo hábil e, o pavoroso desastre ocorreu, inevitavelmente à custa de quase três centenas de vítimas.